| Batalhas dos deuses e dos titãs |
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Houve um tempo em que a mitologia grega continha inúmeras histórias das guerras dos deuses, histórias essas que mais tarde foram esquecidas. Zeus, que condenara ao cativeiro seu pai, Cronos, viu-se ele próprio ameaçado com o mesmo destino. Tétis, na qualidade de grande deusa do mar, foi buscar nas profundezas um dos três "centímanos": aquele a quem os deuses chamavam Briareu, mas a quem os homens chamavam Egéon. Comprazendo-se no seu glorioso ofício, o centímano assumiu a guarda do filho de Cronos. Os deuses abençoados ficaram com medo e não enfrentaram Zeus. De mais a mais, foi graças à ajuda de monstros benevolentes como Briareu que Zeus conseguiu, depois da vitória sobre Cronos, firmar seu poder sobre os turbulentos Filhos do Céu, mais parecidos com seu pai do que próprio. Durante dez anos os Titãs e os filhos de Réia e Cronos estiveram empenhados numa guerra acirrada. Os velhos deuses, os Titãs, travavam sua luta desde o cume do monte Ótris. Zeus e seus irmãos e irmãs desde o monte Olimpo. Não havia possibilidade de um fim decisivo para a luta. Géia, então, revelou aos novos deuses o segredo da vitória. A conselho seu, eles foram buscar nas profundezas, na orla mais extrema da terra, os centímanos, Briareu, Coto e Gias. Fortaleceram-nos com néctar e ambrósia, a bebida e a comida dos deuses, e Zeus pediu-lhes que expressassem sua gratidão participando da guerra contra os Titãs. Coto prometeu, em nome dos três, que assim o fariam. Travou-se de novo a batalha. Deuses e deusas colocaram-se em ordem de combate uns contra os outros. Mas os novos aliados tinham trezentas mãos. Com as trezentas mãos pegaram trezentas pedras. E com o dilúvio de pedras sobrepujaram os Titãs e selaram-lhes a ruína. Os vencidos foram acorrentados e atirados no Tártaro, tão profundo abaixo da terra quanto a terra abaixo do céu. Uma bigorna caída do céu cai durante nove noites e, na décima, chega à terra. Da mesma forma, ela cai durante nove noites e nove dias a partir da terra e, no décimo dia, chega ao Tártaro, cercado de um muro de ferro. Essa fortaleza é cerca trêz vezes pela Noite. Sobre ela cresceram as raízes da terra e do mar. Do seu interior, escondidos nas trevas, os Titãs nunca poderão escapar, pois foi Poseidon quem colocou as portas de ferro em torno dela. Como fiéis guardiães, nomeados por Zeus, ali moram Gias, Coto e Briareu. Fonte: OS DEUSES GREGOS, Kerényi Karl. Editora Cultrix Ltda. São Paulo. SP. 1995, conforme tradução do original Die Mythologie der Griechen. |