História dos Titãs

Urano, o deus do céu, procurava à noite sua esposa, Géia. Urano vinha todas as noites para o acasalamento. Mas, desde o princípio, odiou os filhos que Géia lhe dava. Logo que nasciam, escondi-os sistematicamete e não os deixava ver a luz. Escondia-os nas cavidades interiores da terra. A gigantesca deusa Géia lamentava-se, aflitíssima, e sentia-se oprimida pelo fardo interior. Por essa razão, também inventou um estratagema perverso. Não tardou a produzir o ferro cor de cinza. Fabricou uma poderosa foice, de dentes afiados, e aconselhou-se com seus filhos.O número destes já era grande. Além de Oceano havia Ceos, Crio, Hiperíon, Jápeto e, como o mais moço, Cronos. Esses seis irmãos tinham seis irmãs: Téia, Réia, Têmis, Mnemósina, Febe, a engrinaldada de ouro, e a doce Tétis. Em sua angústia, disse Géia a todos os filhos, mas especialmente aos homens: "Ah, meus filhos - e filhos, também, de um pai nefando - não quereis ourvir-me e punir vosso pai por esse cruel malfeito? Ele foi o primeiro a engenhar um ato vergonhoso!". Estavam todos com medo, e nenhum abriu a boca. Somente o grande Cronos, o pensador tortuoso, respondeu: "Mãe, dou-te minha promessa e agirei de acordo com ela. Pouco se me dá do nosso pai, de nome odiado. Ele foi o primeiro a engenhar um ato vergonhoso!". Diante disso, Géia regozijou-se. Esconde o filho no lugar indicado para a emboscada, pôs a foice na mão dele e contou-lhe toda a trama. Quando Urano chegou, ao cair da noite e, inflamado de amor, cobriu a terra e deitou-se sobre ela, o filho estendeu a mão esquerda do sítio da emboscada e empolgou o pai. Com a direita pegou a imensa foice, cortou rapidamente a virilidade de Urano e atirou-a para trás de si. Géia recebeu no ventre o sangue derramado pelo marido, e deu à luz as Erínias - "as fortes" - e também os Gigantes e as Ninfas do Freixo, ou Ninfas Mélias, das quais surgiu uma raça dura de homens. A virilidade do pai caiu no mar, e assim nasceu Afrodite. Depois disso, o céu nunca mais se aproximou da terra para o acasalamento noturno. A geração original chegou ao fim e a ela seguiu o reinado de Cronos. O Grande Cronos devorava todos os filhos assim que deixavam o ventre sagrado da mãe, Réia, e caíam entre os joelhos dela. Ele era rei entre os filhos de Urano e não queria que nenhum outro deus lhe sucedesse na possa do trono. Géia, sua mãe, e o Céu estrelado, seu pai, haviam profetizado que ele seria deposto por um filho poderoso. Daí que, continuamente alerta, engolisse os filhos. Para Réia isso era uma dor insuportável. Desse modo, quando se viu prestes a dar à luz Zeus, futuro pai dos deuses e dos homens, entrou a suplicar aos pais, à Terra e ao Céu estrelado, que lhe dissessem como poderia pôr o filho secretamente no mundo e vingar as crianças engolidas pelo grande Cronos, o pensador tortuoso. Géia e Urano ouviram a prece da filha e revelaram-lhe o que fora decidido sobre o futuro do rei Cronos e de seu filho. Os pais mandaram Réia para Licto, na ilha de Creta, onde Géia se encarregou do recém-nascido. Quando Réia levou a criança à Licto, na escuridão da noite, escondeu-a numa caverna na montanha coberta de bosques de Egém. Por outro lado, ofereceu ao filho de Urano, o primeiro rei dos deuses, uma grande pedra enrolada em cueiros. O deus terrível pegou a pedra e enfiou-a no estômago, sem compreender que o filho, invicto, e que não se preocupava com ele, estava apenas esperando o momento de derrubar o pai, tirar-lhe a autoridade e reinar no lugar dele. Rapidamente cresceram os membros e a coragem deste novo soberano, até que, chegado o momento, aconteceu realmente que Cronos foi vencido pela força e astúcia traiçoeira de Zeus, e até devolveu de dentro de si os filhos engolidos. Zeus libertou não somente os próprios irmãos senão também os de seu pai, que Urano ainda mantinha agrilhoados. Os mais importantes entre eles eram os Ciclopes que, por gratidão, deram a Zeus o trovão e o raio, emblemas e instrumentos do seu poder.

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